🇮🇹 AMICO DI CESARE 🇵🇹 AMIGO DE CÉSAR 🇬🇧 FRIEND OF CAESAR


🇮🇹 AMICO DI CESARE

Una riflessione per la XXXIV Domenica, T.O. - B. (14-11-2021)

Solennità del Cristo Re

< Gv 18,33-37 (Io sono re)

I.

Attualmente nel mondo ci sono ancora 45 sistemi monarchici con denominazioni diverse: regno, emirato, sultanato, principato, impero (Giappone), Gran-ducato (Lussemburgo), Città (Città del Vaticano). Sedici di queste monarchie appartengono al Commonwealth e quindi riconoscono la regina d’Inghilterra come sovrana. Alcune monarchie sono assolute, altre parlamentari o costituzionali (dividono il potere con altri organismi), altre per elezione (come il caso del Papa).

La monarchia fu la forma prevalente di potere nella storia, per cui i regni e i monarchi che sono apparsi lungo i secoli sono innumerevoli.

II.

Oggi celebriamo la festa di Cristo Re dell’universo. Anche se questa festa fu istituita da Papa Pio XI nel 1925 per indicare, in un periodo di trionfo dei totalitarismi, che l’unico sovrano dell’universo fosse Cristo, oserei dire che questa festa iniziò suo malgrado con Ponzio Pilato quando, presentò al mondo Gesù come Re con un’iscrizione appesa sulla croce scritta in tre lingue, perché tutti potessero comprendere.

Gesù si auto definisce Re ma specifica subito di che regalità si tratta, da non confondere con quella dei re della storia. Quando Pilato gli chiede: Tu sei re? Gesù distingue tra regno mondano (“Dici questo da te?”) e spirituale (Re dei Giudei nel senso messianico). E definisce chiaramente qual’è la sua missione: “io sono re. Per questo io sono nato e per questo sono venuto nel mondo: per dare testimonianza alla verità”.

III.

Parlare di verità oggigiorno sembra una chimera. L’ambiente culturale da tempo ha decretato la morte della verità a partire dai filosofi della morte di Dio fino al postmodernismo che ha sostituito il criterio della verità con altri come quelli dell’utilità, del piacere, del funzionalismo. Addirittura ci si chiede: a cosa serve la verità? Non importa se qualcosa sia vero o falso, ma che funzioni. E così, messa da parte la questione della verità , ci siamo ritrovarsi immersi in un mare di menzogna, dove non importa cosa sia vero o falso (fake news) ma ciò che crea audience o serve ai propri scopi.

IV.

Pilato aveva cominciato un tenue cammino nel suo dialogo con Gesù, e stava per essere conquistato da quello che diceva, al punto da volere liberarlo. Anche sua moglie lo stava aiutando a comprendere meglio. Ma quando fu accusato di non essere “amico di Cesare” ha percepito il pericolo di perdere tutte le chance di fare carriera, e invece di scegliere di essere amico di Gesù, della verità, ha scelto di essere amico di Cesare, della menzogna. E se ne lavò le mani.

Capita anche a noi di trovarci a volte di fronte alla scelta tra la verità, la nostra fede, l’amore per Dio, e la menzogna, l’amore per il mondo. E quante volte come Pilato, ce ne laviamo le mani. Lavarsi le mani di fronte alla scelta di Gesù non è rinunciare a scegliere, ma la rinuncia è già una scelta! Quella di non abbracciare la verità.

V.

La nostra vita è un percorso dalla menzogna alla verità, e più il tempo passa, più dobbiamo abbandonare tutto quello che ci tratteneva nella menzogna. Più gli anni passano più dobbiamo sentire che stiamo diventando più veri. Tante cose che nel passato ci appassionavano e ci imprigionavano, ora non sono più nulla o addirittura ci danno fastidio.

Tutta la nostra vita è un percorso che ci porta dall’essere amico di Cesare, della menzogna, delle cose, del potere, a essere amico di Gesù, della verità, del dono, dell’amore. Solo con questo cammino di autenticazione potremo ascoltare quello che ci dice Gesù: “Chiunque è dalla verità, ascolta la mia voce”. Chi è dalla menzogna e non ne vuole uscire, non potrà mai ascoltare e comprendere.

Terminiamo oggi con la Solennità di Cristo Re dell’universo, un altro anno liturgico: ogni anno dev’essere un avvicinamento sempre maggiore alla verità di Gesù. Se no non stiamo andando da nessuna parte.

VI.

Infine Pilato chiese a Gesù: “Cos’è la verità?”. Ma la domanda giusta non è “cosa è la verità” ma “Chi è la verità”, perché la verità non è una cosa, ma è Qualcuno: “Io sono la verità e la vita” ha detto Gesù.

Quindi caro Pilato, non dovevi lavare le mani, ma gli occhi, per poter vedere che non ne valeva la pena: per essere amico di Cesare solo per i pochi anni che ti restavano della tua esistenza terrena, ti sei giocato l’eternità.



🇵🇹 AMIGO DE CÉSAR

Uma Reflexão para o XXXIV Domingo, O.T. - B. (14-11-2021)

Solenidade de Cristo Rei < Jo 18:33-37 (Eu sou Rei)

I.

Actualmente ainda existem 45 sistemas monárquicos no mundo com diferentes denominações: reino, emirado, sultanato, principado, império (Japão), Grão-Ducado (Luxemburgo), Cidade (Cidade do Vaticano). Dezasseis destas monarquias pertencem à Commonwealth e por isso reconhecem a Rainha de Inglaterra como sua soberana. Algumas monarquias são absolutas, outras parlamentares ou constitucionais (partilha de poder com outros organismos), outras por eleição (tal como o Papa).

A monarquia foi a forma de poder dominante na história, por isso os reinos e monarcas que surgiram ao longo dos séculos são inúmeros.

II.

Hoje celebramos a festa de Cristo, Rei do Universo. Embora esta festa tenha sido instituída pelo Papa Pio XI em 1925 para indicar, numa época de triunfo do totalitarismo, que o único governante do universo era Cristo, atrevo-me a dizer que esta festa começou apesar de si mesmo com Pôncio Pilatos quando apresentou Jesus ao mundo como Rei com uma inscrição pendurada na cruz escrita em três línguas para que todos pudessem compreender.

Jesus define-se a si próprio como Rei, mas especifica imediatamente que tipo de realeza é, para não ser confundida com a dos reis da história. Quando Pilatos lhe pergunta: És rei? Jesus distingue entre um reino mundano ("Dizes isto de ti mesmo?") e um reino espiritual (Rei dos judeus no sentido messiânico). E ele define claramente qual é a sua missão: "Eu sou rei". Para isto nasci e para isto vim ao mundo: para dar testemunho da verdade".

III.

Falar de verdade hoje parece uma quimera. O mundo cultural há muito que decretou a morte da verdade, desde os filósofos da morte de Deus até ao pós-modernismo, que substituiu o critério da verdade por outros como a utilidade, o prazer e o funcionalismo. Até se pergunta: qual é a utilidade da verdade? Não importa se algo é verdadeiro ou falso, mas se funciona. E assim, tendo posto de lado a questão da verdade, encontramo-nos imersos num mar de mentiras, onde não importa o que é verdadeiro ou falso (notícias falsas) mas o que cria uma audiência ou serve os seus próprios propósitos.

IV.

Pilatos tinha iniciado uma ténue viagem no seu diálogo com Jesus, e estava prestes a ser conquistado pelo que dizia, ao ponto de querer libertá-lo. A sua esposa também o estava a ajudar a compreender melhor. Mas quando foi acusado de não ser "amigo de César", percebeu o perigo de perder todas as suas hipóteses de avançar, e em vez de escolher ser amigo de Jesus, da verdade, escolheu ser amigo de César, de mentiras. E ele lavou as suas mãos.

Também nós somos por vezes confrontados com a escolha entre a verdade, a nossa fé, o amor por Deus, e a mentira, o amor pelo mundo. E com que frequência, como Pilatos, lavamos as nossas mãos. Lavar as mãos antes da escolha de Jesus não é renunciar à escolha, mas a renúncia já é uma escolha! A de não abraçar a verdade.

V.

A nossa vida é uma viagem da mentira à verdade, e quanto mais o tempo passa, mais temos de desistir de tudo o que nos manteve na mentira. Quanto mais os anos passam, mais devemos sentir que nos estamos a tornar mais verdadeiros. Tantas coisas que antes nos excitavam e aprisionavam no passado, agora não são nada ou até nos incomodam.

Toda a nossa vida é uma viagem que nos leva de amigo de César, de mentiras, de coisas, de poder, a ser amigo de Jesus, da verdade, do dom, do amor. Só com esta viagem de autenticação poderemos ouvir o que Jesus nos diz: "Quem quer que seja da verdade, ouve a minha voz". Quem quer que seja da mentira e não queira sair dela, nunca será capaz de ouvir e compreender.

Terminamos hoje, com a Solenidade de Cristo Rei do Universo, outro ano litúrgico: cada ano deve ser uma aproximação cada vez maior à verdade de Jesus. Caso contrário, não vamos a lado nenhum.

VI.

Finalmente Pilatos perguntou a Jesus: "O que é a verdade". Mas a questão certa não é "o que é a verdade" mas "quem é a verdade", porque a verdade não é uma coisa mas alguém: "Eu sou a verdade e a vida" disse Jesus.

Por isso, caro Pilatos, não precisavas de lavar as mãos, mas os olhos, para ver que não valia a pena: para ser amigo de César apenas pelos poucos anos que te restam da tua existência terrena, jogaste fora a eternidade.


🇬🇧 FRIEND OF CAESAR

A Reflection for the XXXIV Sunday, O.T. - B. (14-11-2021)

Solemnity of Christ the King < Jn 18:33-37 (I am King)

I.

Currently there are still 45 monarchical systems in the world with different denominations: kingdom, emirate, sultanate, principality, empire (Japan), Grand Duchy (Luxembourg), City (Vatican City). Sixteen of these monarchies belong to the Commonwealth and therefore recognise the Queen of England as their sovereign. Some monarchies are absolute, others parliamentary or constitutional (sharing power with other bodies), others by election (such as the Pope).

Monarchy was the prevailing form of power in history, so the kingdoms and monarchs that have appeared over the centuries are innumerable.

II.

Today we celebrate the feast of Christ, King of the Universe. Although this feast was instituted by Pope Pius XI in 1925 to indicate, at a time of triumph of totalitarianism, that the only ruler of the universe was Christ, I dare say that this feast began in spite of itself with Pontius Pilate when he presented Jesus to the world as King with an inscription hanging on the cross written in three languages for all to understand.

Jesus defines himself as King but he immediately specifies what kind of kingship it is, not to be confused with that of the kings of history. When Pilate asks him: Are you king? Jesus distinguishes between a worldly ("You say this of yourself?") and a spiritual kingdom (King of the Jews in the messianic sense). And he clearly defines what his mission is: "I am king. For this I was born and for this I have come into the world: to bear witness to the truth".

III.

To speak of truth today seems a chimera. The cultural milieu has long since decreed the death of truth, from the philosophers of the death of God to postmodernism, which has replaced the criterion of truth with others such as utility, pleasure and functionalism. One even wonders: what is the use of truth? It does not matter whether something is true or false, but whether it works. And so, having put aside the question of truth, we have found ourselves immersed in a sea of lies, where it does not matter what is true or false (fake news) but what creates an audience or serves its own purposes.

IV.

Pilate had begun a tenuous journey in his dialogue with Jesus, and was about to be won over by what he was saying, to the point of wanting to set him free. His wife was also helping him to understand better. But when he was accused of not being "a friend of Caesar" he perceived the danger of losing all his chances of getting ahead, and instead of choosing to be a friend of Jesus, of the truth, he chose to be a friend of Caesar, of lies. And he washed his hands of it.

We too are sometimes faced with the choice between truth, our faith, love for God, and lies, love for the world. And how often, like Pilate, we wash our hands of it. Washing our hands before the choice of Jesus is not giving up the choice, but the renunciation is already a choice! That of not embracing the truth.

V.

Our life is a journey from the lie to the truth, and the more time passes, the more we have to give up everything that kept us in the lie. The more the years go by, the more we must feel that we are becoming truer. So many things that used to excite and imprison us in the past are now nothing or even bother us.

Our whole life is a journey that takes us from being a friend of Caesar, of lies, of things, of power, to being a friend of Jesus, of truth, of gift, of love. Only with this journey of authentication will we be able to listen to what Jesus tells us: "Whoever is of the truth hears my voice". Whoever is of the lie and does not want to come out of it, will never be able to listen and understand.

We end today with the Solemnity of Christ the King of the Universe, another liturgical year: each year must be a drawing ever closer to the truth of Jesus. Otherwise we are going nowhere.

VI.

Finally Pilate asked Jesus: "What is truth?". But the right question is not 'what is the truth' but 'who is the truth', because the truth is not a thing but Someone: 'I am the truth and the life' said Jesus.

So dear Pilate, you did not have to wash your hands, but your eyes, to see that it was not worth it: to be Caesar's friend for just the few years left of your earthly existence, you gambled with eternity.

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